segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

MAIOR CAVERNA DO NE FICA EM FELIPE GUERRA

Veja a seguir a reportagem feira pelo jornalista CESAR ALVES publicado no Jornal de Fato, editado na cidade de Mossoró, edição do dia 6 de dezembro de 2009. Equipes do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (CECAV) e do Instituto Meandros Espeleo Clube concluíram o mapeamento da Caverna Trapiá, no município de Felipe Guerra. Agora, oficialmente, trata-se da maior cavidade natural do Nordeste e uma das maiores do país. Tem 2.330 metros de desenvolvimento.
O trabalho de mapeamento contou com especialista da Universidade de São Paulo, do CECAV e do Instituto Meandros Espeleo Clube. A caverna havia sido descoberta pela mesma equipe em 2003. Na primeira incursão, conseguiram mapear pouco mais de 300 metros. Depois avançaram para 1.200 metros em outras duas tentativas, que foram prejudicadas pelo inverno.
O trabalho foi retomado em setembro passado, quando os especialistas conseguiram atingir 2.330 metros. Após o trabalho, os espeleólogos do CECAV, segundo Jocy Cruz, concluíram que a Caverna do Trapiá é a maior da região Norte e Nordeste.
A Caverna do Trapiá é três vezes maior do que a maior caverna já identificada e catalogada no Estado, no caso, a Furna Feia, no município de Baraúna, que tem 740 metros de desenvolvimento. Trapiá ultrapassa a maior do Nordeste, ou seja, a Gruta de Ubajara, localizada no Município de Ubajara, no estado do Ceará, com 2.200 metros.
Jocy Cruz, do Cecav, informa que até o presente momento, de acordo com diversos cadastros brasileiros (Codex, CNC e CANIE), só existem cavernas que ultrapassam essa dimensão nos estados da Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Paraná.
Outro dado surpreendente é que, segundo pesquisadores da USP, Francisco Cruz, que também fez parte da equipe que fez a descoberta e o mapeamento, a gruta é a maior do Brasil formada em rochas recentes, ou seja, do Cretáceo (período geológico que vai de 144 a 65 milhões de anos atrás), período no qual foi formado o calcário da Bacia Potiguar.
Para as duas equipes de exploradores, a Caverna Trapiá, em Felipe Guerra, é um grande patrimônio histórico, cultural e científico ainda não explorado no Rio Grande do Norte.
Logo na terceira tentativa, conseguiram topografar e registrar em imagens salões volumosos para os padrões regionais, inúmeros fósseis de animais pré-históricos, que necessitam de estudos específicos para se comprovar de qual época pertence. "Acreditamos que sejam espécies da megafauna pleistocênica", diz Francisco Cruz.
Também foram catalogados espeleotemas incomuns na região, como velas e helictites, além do primeiro registro de flores de gipsita no Rio Grande do Norte (foto). Foram também observados indícios de uma conexão direta com o rio Apodi/Mossoró, distante aproximadamente mil metros em linha reta do ponto onde a topografia foi interrompida pela correnteza.
Na quarta tentativa, em novembro, foram mapeados mais 200 metros até um ponto obstruído com lama e areia, chegando aos números finais do mapeamento. A caverna tem só uma entrada e só é possível praticando rapel numa altura de 18 metros. Não existem habitações próximas e às vezes enxames de abelhas impedem a aproximação e incursão da caverna.
Segundo Jocy Cruz, diante do que foi encontrado, não restam mais dúvidas do potencial da região para a exploração do turismo ecológico e de aventura e principalmente científico. "É preciso que sejam feitos estudos específicos sobre estas espécies que encontramos inúmeros fósseis preservados no interior da caverna. Porém, para estes estudos, é preciso ter o acompanhamento".

Analista conta como foi a exploração
O analista ambiental Diego de Medeiros Bento, do Cecav-RN, informou que a maior dificuldade enfrentada na exploração foi o calor intenso dentro da gruta, que varia de 29ºC na entrada até 34ºC em alguns trechos, sendo necessário muita água nas expedições.
A alta umidade, beirando a saturação, aumenta a sensação térmica, exigindo preparo físico e psicológico dos participantes. O fato de que o único acesso à caverna conhecido é um abismo de 18 metros, acessível somente com o uso de técnicas verticais.
Ainda de acordo com Diego de Medeiros Bento, a caverna é localizada na zona rural do município, área de baixíssima ocupação humana, cujas atividades produtivas restringem-se à pecuária bovina e caprina, sem maiores impactos ao ambiente

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